Pacote na Chapada Diamantina – Como Escolher e Dicas
25/04/2017

Pacote na Chapada Diamantina – Como Escolher e Dicas

A Chapada Diamantina, definitivamente, é uma das regiões mais exuberantes e impressionantes do Brasil, e sua paisagem é diferente de tudo que se encontra não só em seu estado, na Bahia, como em todo o país – ela reúne desde algumas das mais altas e imponentes cachoeiras e imensos paredões e desfiladeiros até seu próprio pantanal semiárido baiano que abriga sua própria fauna e flora. Inclusive, são tantos atrativos distribuídos por 24 municípios em uma imensa área de 70 mil quilômetros quadrados que seria necessário no mínimo um mês inteiro para um viajante conhecer a região por completo. Justamente por isso, é muito importante saber qual pacote de viagem é o mais correto para cada perfil e disponibilidade de tempo, desta maneira, será possível aproveitar a viagem ao máximo e também explorar a região e suas principais atrações.

Depois de ler o texto, Clique e conheça os Pacotes do Desviantes para a Chapada Diamantina

Como existem muitas opções de pacotes na Chapada Diamantina, o Desviantes reuniu algumas importantes informações para que você entenda a região e possa escolher qual roteiro melhor se encaixa em seu perfil.

1. Principais cidades/vilas
Apesar de abranger 24 municípios baianos, são apenas quatro das principais cidades e vilas da região que recebem o maior fluxo de viajantes, já que nesses locais são oferecidos melhor infraestrutura turística e também pelo acesso mais fácil aos passeios e atrativos.

Lençóis
Lençóis, por exemplo, por ser a principal cidade e porta de entrada para a Chapada, é onde a grande parte dos pacotes tem início e fim – os passeios mais populares e “leves” são acessados através desse município; há vários tipos de hospedagens para agradar a todos os gostos e bolsos, desde pousadas simples até hotéis mais luxuosos; e as noites são bastante animadas, com bares e restaurantes que atraem diversos viajantes à essa região.


Foto: Fred Schinkle

Igatu
Já Igatu, a 114 quilômetros de distância de Lençóis, é uma vila bem mais simples que ainda não conta com boa infraestrutura turística, mas é bastante exótica (feita completamente de pedras) e serve de base para quem quer fazer o passeio à Cachoeira do Buracão, uma das mais altas e belas quedas d’água da Chapada. No entanto, é recomendável visitar a vila no caso dos pacotes acima de cinco dias.


Foto: João Ramos

Mucugê
Mucugê também é um excelente lugar para quem pretende conhecer a Cachoeira do Buracão, pois é uma das portas de entrada para a atração, mas, assim como Igatu, também é recomendável no caso de pacotes acima de cinco dias. Essa cidade, no entanto, conta com infraestrutura melhor que a de Igatu, possui uma paisagem mais colonial e, apesar de ser menos turística que Lençóis, é sede de alguns festivais culturais, como o Festival de Chorinho e o festival de corais (chamado de Vozes da Chapada).


Foto: André Ribeiro

Vale do Capão
Finalmente, o último local é também o mais simples, o Vale do Capão, uma vila extremamente rústica que reúne os viajantes mais alternativos, mas que oferece excelentes opções de restaurantes, principalmente para quem é vegetariano. É também a principal vila de acesso para a Cachoeira da Fumaça, segunda maior queda d’água do Brasil, com quase 400 metros de altura, e para a Trilha do Vale do Pati, um dos percursos de trekking mais cênicos do país.


Foto: Gabriel T Almeida

2. Como chegar
É necessário atenção quanto ao acesso à Chapada Diamantina e aos meios de transportes para chegar até lá, pois, dependendo do seu destino de partida, pode ser um pouco demorado. Para não ter complicações, certifique-se de reservar dois dias livres na viagem para os dias de chegada e de saída – em alguns pacotes na Chapada Diamantina, inclusive, esse tempo extra já é considerado e é oferecido serviços de transfer, mas fique atento aos pacotes que não levam esse detalhe em consideração, pois você terá que acrescentar esses dias por conta própria.

As duas principais maneiras de chegar e sair da Chapada Diamantina são de avião e de ônibus.

Transporte Aéreo
O jeito mais rápido, é claro, é de avião, mas os voos, que aterrissam em Lençóis, saem apenas duas vezes por semana, nas quintas-feiras e aos domingos, o que pode ser um tanto limitante para o calendário dos viajantes, mas vale lembrar que os roteiros costumam já considerar isso e, portanto, tem início preferencialmente nesses dias. Também é importante saber que não existem voos diretos para a Chapada, pois todos os voos fazem paradas obrigatórias em cidades baianas (ou Salvador ou Vitória da Conquista) e alguns ainda fazem escala em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para quem sai de São Paulo ou do Rio de Janeiro, é possível que a espera entre o embarque na origem e o desembarque em Lençóis demore uma média de oito horas.



Transporte Rodoviário
Já a viagem de ônibus é a maneira mais barata e também flexível, pois existem quatro horários diferentes e bem distribuídos por dia entre Salvador e Lençóis, cuja rodoviária se encontra dentro da cidade, a poucos quilômetros do centro. A duração da viagem é de aproximadamente seis horas, percorrendo cerca de 420 quilômetros de distância entre uma cidade e outra.

3. Quanto tempo ficar
A maior dúvida que as pessoas tem na hora de se programar para essa viagem é a de quanto tempo será necessário para aproveitar a Chapada Diamantina ao máximo e, portanto, qual dos pacotes – de três, de cinco ou de oito dias – melhor se encaixa em seu planejamento.

Pacotes de 3 dias na Chapada Diamantina
Os pacotes de três dias são normalmente destinados para os viajantes com pouco tempo disponível e, por isso, incluem as atrações turísticas mais famosas da região para que você possa conhecer o essencial, mas vale lembrar que isso significa que ficará apenas na parte norte da Chapada. Nesse caso, a cidade base do pacote será sempre Lençóis (assim, não será necessário perder muito tempo se locomovendo para outros lugares) e os atrativos visitados ficam por conta do Circuito das Grutas com Morro do Pai Inácio, Cachoeira da Fumaça e Poço Azul e Encantado.



Pacotes de 5 dias na Chapada Diamantina
Os pacotes de cinco dias incluem exatamente a mesma coisa que os de três dias, mas com um pouquinho a mais, onde você poderá conhecer mais uma cidade da Chapada (Lençóis continua sendo a principal base, mas você fará pernoites em um segundo município também, como Mucugê, Igatu ou Vale do Capão). Isso também significa que, além de visitar os atrativos da parte norte da região que estão inclusos nos pacotes de três dias, será possível conhecer não só outras atrações menos famosas – mas igualmente imperdíveis, como o Pantanal do Marimbus e a Cachoeira do Mosquito – como também, em algumas opções, explorar a Chapada de norte a sul, incluindo o passeio à Cachoeira do Buracão, que fica ao extremo sul e é um dos atrativos mais incríveis.



Pacotes de 8 dias na Chapada Diamantina
Finalmente, os pacotes de oito dias são as opções ideais para aproveitar ao máximo a Chapada e tudo que ela tem para oferecer. Fazendo pernoites em diferentes cidades (em alguns casos, inclusive, como no caso do pacote “Volta ao Parque”, pode-se pernoitar em um lugar diferente a cada dia da viagem), será possível conhecer os principais pontos da região, fazer passeios para a Cachoeira do Buracão e para o Pantanal do Marimbus e ainda ir para atrativos um tanto desconhecidos (mas que definitivamente irão surpreender o viajante mais experiente), permitindo, desta forma, que você possa conhecer a diversidade dessa incrível Chapada brasileira.



4. Principais atrativos
Por se tratar de um território imenso, existem muitas atrações espalhadas pela Chapada Diamantina, cada uma mais bonita que a outra. Entre todas elas, há os passeios mais tradicionais, considerados imperdíveis e que estão inclusos nos pacotes mais populares, já que ficam próximos de Lençóis e não exigem pernoites em outras cidades, como o Morro do Pai Inácio, a Cachoeira da Fumaça, Gruta da Pratinha e os Poços Azul e Encantando.



Além desses passeios tradicionais, existem outros que, apesar de menos conhecidos, irão lhe surpreender muito e, por isso, definitivamente vale a pena incluí-los na viagem, como nos casos do Mirante do Vale do Pati, das cachoeiras do Buracão e da Fumacinha, e da Gruta da Lapa Doce.



5. Para quem é recomendado
Não há nenhuma restrição para visitar a Chapada Diamantina, pois é uma região que realmente agrada a todos os gostos e estilos, independentemente se você prefere relaxar e aproveitar as paisagens pitorescas e uma ótima gastronomia, ou se prefere se aventurar em trilhas e praticar outros esportes radicais como mountain bike e escalada.



No entanto, para escolher o pacote ideal para o seu perfil, é importante analisar o grau de dificuldade dos passeios (mas lembre-se que a visitação dos principais atrativos sempre envolve algum tipo de caminhada curta e leve, com exceção da Cachoeira da Fumaça, que se trata de um trekking mais exigente de doze quilômetros, mas que vale muito a pena pela visão da segunda maior cachoeira do Brasil).

Atividades para relaxar
Para aqueles que querem relaxar e preferem atividades sem caminhadas longas, opte pelos pacotes que incluam passeios ideais para esse tipo de perfil, como a dos Poços Azul e Encantado, da Gruta da Pratinha, dos Poços do Roncador e da Vila de Igatu.



Atividades para se aventurar
Já para os mais aventureiros, os passeios perfeitos são da Trilha do Vale do Pati, da caminhada no Vale do Capão e das cachoeiras da Fumaça e do Buracão.



6. Quando ir
A Chapada Diamantina tem o clima seco na maior parte do ano e, por isso, pode ser visitada durante todo o ano, mas, de acordo com o seu objetivo de viagem, alguns passeios serão melhor aproveitados em certas épocas.

Estação Chuvosa
A estação chuvosa ocorre de Novembro a Janeiro, período perfeito para ir às piscinas naturais e cachoeiras, principalmente a Cachoeira da Fumaça, que estará com o volume d’água muito alto (ela pode secar no período de estiagem).



Estação Seca
Já nos meses de Maio a Setembro ocorre a estação seca, período recomendado para quem quer fazer caminhadas, já que o risco de chuvas é muito baixo e as temperaturas estão amenas, evitando que as trilhas fiquem escorregadias e deixando também as paisagens mais bonitas para fotos. Outros excelentes passeios para fazer durante essa época incluem ainda a visitação aos Poços Azul e Encantado e à Gruta Azul, pois é quando raios de luz incidem diretamente em suas águas, fazendo com que tomem um tom azulado mais profundo e extremamente bonito.


Fonte: Clima Tempo

7. Refeições
Este não é um detalhe com o qual você deve se preocupar na Chapada Diamantina, uma vez que a maioria dos pacotes na Chapada inclui café-da-manhã na hospedagem e almoço durante os passeios (lembrando que, quando o passeio envolver trilha e não houver restaurantes nos arredores, o almoço é substituído por um lanche). Em todas as outras ocasiões, as refeições que ocorrem durante passeios são feitas em restaurantes locais, onde são servidos pratos tradicionais da culinária brasileira e alguns pratos típicos da região, como o godó de banana, um ensopado com carne seca e banana verde.


Foto: Jornal da Chapada

Já o jantar fica por sua conta, mas não se preocupe, pois há diversas opções. Seja no município de Lençóis ou nas demais cidades e vilas, é possível fazer refeições tanto em restaurantes com menus tradicionais e comida típica baiana como em cozinhas europeia, oriental, entre outras. Finalmente, para momentos de relaxamento, você pode desfrutar do café, que é produzido lá mesmo – a altitude da Chapada gera grãos de altíssima qualidade, já tendo inclusive recebido prêmios nacionais e internacionais.

Curiosidades da Chapada Diamantina
Para você saber um pouco mais sobre essa bela e exuberante região antes de visitá-la, o Desviantes reuniu algumas curiosidades interessantes para os futuros viajantes:

  • É na Chapada Diamantina que se encontram as maiores montanhas do Nordeste do Brasil, sendo a mais alta delas o Pico do Barbado, com 2.033 metros de altitude;
  • Existem diversas grutas na Chapada e algumas delas são tão antigas que possuem em seu interior pinturas rupestres. Entre elas, a Gruta da Lapa Doce é a quinta maior caverna do Brasil;
  • A Chapada Diamantina une, em um único território, vegetações de Caatinga e Mata Atlântica;
  • Um viajante já passou dois meses ininterruptos visitando os atrativos da Chapada e, mesmo sem repetir nenhum passeio, não conseguiu conhecer todos eles;
  • O Vale do Pati já chegou a ser habitado por mais de 400 famílias em seu auge, na época em que o local era um grande produtor de café. As trilhas que hoje servem de caminho para os trekkings, naquele período, serviam para escoar o café plantado;
  • O Morro do Castelo, uma das principais atrações do Vale do Pati, guarda uma gruta bem em seu topo, e é necessário atravessá-la para ter acesso ao cume do morro;
  • A região da Chapada Diamantina já foi um mar, há mais de 600 milhões de anos.

Silas Barbi

Praticante de trekking, escalada, mergulho livre e profissional de marketing por formação. Acredita em mundo com menos rotina e mais aventura. Suas duas paixões são o Brasil e a Natureza e não é por acaso que o seu principal objetivo de vida é levar as pessoas para conhecer as belezas naturais do Brasil.