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Onde encontrar bioluminescência no Brasil
19/09/2014

Onde encontrar bioluminescência no Brasil

A natureza surpreende mesmo. Imagine que desde os tempos de Aristóteles, 384-322 a.C, até os dias de hoje, ninguém explica totalmente a bioluminescência, um fenômeno que leva organismos, como cogumelos, águas vivas, vagalumes, produzirem e emitirem luz fria por meio de uma reação química que transforma energia química em luminosa. Segundo um artigo publicado em 2009 na Photochemical & Photobiological Sciences, “o mecanismo de produção de luz é semelhante ao que se observa nos vagalumes e nas bactérias bioluminescentes: enzimas chamadas luciferases oxidam uma substância – ou substrato, como os químicos preferem chamar – conhecida como luciferina, liberando energia na forma de luz”.

Especula-se que a função da luminescência é atrair e afastar a presa; utilizar a luz para sinalizar sobre o sexo entre as espécies, como acontece com o vagalume. A fêmea escolhe o macho ideal pela sequência de luz emitida. Mas essas explicações ainda não são definitivas. Portanto, estudos e descobertas de novas espécies, em novos lugares, continuam sendo realizados por biólogos, especialistas em bioluminescência e micologia.

Por ser ainda um fenômeno pouco explorado, você corre o risco de presenciar as cores verdes, azuis e até avermelhadas emitidas pelos organismos luminescentes durante uma trilha noturna que esteja fazendo pelas florestas tropicais e pelos bosques de regiões temperadas, em época de lua nova. Se você gostaria de passar por essa experiência, confira alguns locais que o Desviantes separou para você curtir um lado iluminado da natureza.

Atenção: Encontrar esses seres não é tarefa fácil, entre em contato com os parques e guias de cada região para planejar uma procura.

1. Fungos bioluminescentes - Piauí

Cogumelos Bioluminescentes Piaui

Foto: Mi Verderane

No Brasil, os efeitos mais comuns de bioluminescência são produzidos por fungos e insetos. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros descobriram  a espécie  Neonothopanus gardneri, o maior cogumelo luminoso do país, no Piauí. Foi visto pela primeira vez em 1840, na cidade de Natividade, em Tocantins. Recebeu o apelido de Flor de Coco e classificado como Agaricus gardeni. Até então não tinha sido mais visto em outro local.

Fungos que emitem luz no Piaui

Foto: Cassius V.Stevani (IQ - USP)

 

2. Praias brilhantes - Sul e Suldeste do Brasil

Maldivas Plancton Bioluminescente

Foto Ilustrativa: Praia nas MaldivasTHBAZ

Os Fitoplâncton phytoplanktons bioluminescentes dão um show nas praias da Nova Zelândia (sudoeste do Oceano Pacífico); do Largo de San Diego, das ilhas Raa Atoll, nas Maldivas e do Lago Gippsland, em Victoria, na Austrália. São espécies vegetais e bacterianas marinhas, como algas, que emitem uma luz parecida com neon colorindo as ondas de verde e azul.

Eventos desse tipo também acontecem em território brasileiro. Pesquisas mostram o espetáculo causado por bactérias bioluminescentes nas águas costeiras de Imbé e Tramandaí, no Rio Grande do Sul (RS) e na região da Ilha do Mel, no Paraná, e na Ilha do Cardoso, no extremo Sul do litoral Paulista. Apesar de identificados no Brasil, não há registros fotográficos desses eventos.

 

3. Fungos bioluminescentes - Reserva Ducke, no Amazonas (AM)

Na Amazônia, a Mycena lacrimans é a principal espécie responsável pelos efeitos da bioluminescência. Foi coletada na Reserva Ducke (AM). Anos depois, uma expedição encontrou cogumelos luminosos nos Igarapés, nas florestas localizadas no quilômetro, 83, no município de Careiro. Porém, é uma área que merece atenção e preocupação por causa dos desmatamentos para pavimentar rodovias.

 Fungos Bioluminescentes AmazoniaCogumelos Bioluminescentes Amazonia

Foto: Ricardo Braga-Neto e Cassius V. Stevani - Laboratório de bioluminescência de fungos (IQ-USP)

 

4. Fungos bioluminescentes - PETAR, em Iporanga - SP

Cogumelos Brilhantes Mata Atlantica

Foto: Ricardo Braga-Neto e Cassius V. Stevani - Laboratório de bioluminescência de fungos (IQ-USP)

Fica na região do Alto Ribeira, aproximadamente há 320 quilômetros da capital, nos municípios de Iporanga (75%) e Apiaí (25%). Com uma área de 35.772 hectares, o Petar é reconhecido como o Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade, por reunir a extensão mais preservada da Mata Atlântica do Brasil, e como o parque mais antigo Estado de São Paulo.

É no Petar onde está reunido o maior número de espécies de fungos bioluminescentes de todo o mundo. Gerronema viridilucens, Mycena lucentipes, Mycena discobasis, Mycena singeri, Mycena luxaeterna, Mycena asterina, Mycena fera. Essa região do Vale do Ribeira ficou marcada como início da descoberta de fungos luminosos no país, por meio de seres vivos presentes numa jabuticabeira, reconhecidos como Eugenia fluminensis.

Encontrar os cogumelos exige visitas noturnas, principalmente, em períodos de lua nova,  crescente ou minguante, quando a escuridão cobre totalmente as florestas. De tempos em tempos, é preciso desligar a lanterna e fixar o olhar no solo, para identificar os tons esverdeados dos fungos.

Antes de se aventurar, contate a administração do Petar para agendar a sua participação num dos roteiros pré-determinados, com monitoramento de um guia. Para fazer as trilhas ou outra atividade, exige-se o uso de equipamentos e vestimentas adequadas para cada finalidade. Os passeios são cobrados.

 

5. Larvas de Vagalumes - Parque Nacional das Emas, em Goiás (GO)

Cupinzeiros com Vagalumes Parque Nacional das Emas

Foto: Alessandro Bearzi

Com 132 mil hectares de vegetação do cerrado, o Parque das Emas fica entre os municípios de Mineiros, Chapadão do Céu, em Goiás; e parte de Costa Rica, no Mato Grosso do Sul. Recebeu da Unesco o título de Patrimônio Natural da Humanidade por abrigar 1.600 espécies de animais e 500 tipos de plantas nativas. Entre as belezas encontradas no local, cerca de 20 milhões de cupinzeiros transformam-se em esculturas de terras iluminadas com o efeito da bioluminescência. Em períodos de chuvas, logo após o mês de outubro, as larvas de vagalumes se abrigam nos buraquinhos esculpidos nos cupins. À noite, elas emitem luzes esverdeadas, atraem e comem outros insetos.

Os ingressos podem ser retirados com 48 horas de antecedência, documento conhecido por voucher, nos Centros de Atendimento ao Turista (CATs), na cidade de Mineiros, ou em agências de viagem. A entrada e visitação são mais fácies pelo Chapadão do Céu, a 460 km de Goiânia.

Para aproveitar mais o passeio, recomenda-se fazer as trilhas com o acompanhamento de um monitor ambiental. E ainda providenciar um cantil com água, uso de protetor solar, repelente, boné ou chapéu, capa de chuva, óculos de sol, agasalho, calçados fechados e adequados para fazer caminhada, além de lanche.

Cupinzeiros Bioluminescentes Parque Nacional das Emas

Foto: Alessandro Bearzi

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Silas Barbi

Praticante de trekking, escalada, mergulho livre e profissional de marketing por formação. Acredita em mundo com menos rotina e mais aventura. Suas duas paixões são o Brasil e a Natureza e não é por acaso que o seu principal objetivo de vida é levar as pessoas para conhecer as belezas naturais do Brasil.